Fala, galera do rock! Ladies e cavalheiros do riff, hoje o papo é sério.
Faz um ano que o Ozzy se foi.
Dezessete dias. Foi esse o tempo entre o último show dele e a notícia da morte. Nem o Michael Jackson conseguiu um feito tão simbólico quanto esse.
Os médicos disseram que ele não aguentaria subir naquele palco. E ele subiu mesmo assim — sentado num trono, porque o corpo já não deixava mais ficar em pé, mas a vontade dele nunca pediu permissão pro corpo.
Quatro músicas solo. Quatro com o Black Sabbath de verdade — os quatro caras de Birmingham, velhos, cheios de história, ali juntos de novo, talvez pela última vez. Eu lembro de assistir a transmissão com meus amigos, todo mundo em silêncio, cada um tentando disfarçar a lágrima do jeito que dá pra disfarçar lágrima de tiozão: olhando pro teto, mexendo no celular, jurando que foi coisa no olho.
Tão grande e tão comum ao mesmo tempo
Tem uma coisa curiosa no Ozzy: a gente nunca falou “aquele cantor daquela banda”. A gente sempre falou só “o Ozzy”. Como se fosse alguém que a gente conhecesse pessoalmente. Como se a gente achasse engraçado — e até bonito — o quanto ele era autêntico com os próprios valores, mesmo quando isso soava estranho pra todo mundo ao redor.
Isso não é sorte. É construção. É o resultado de décadas se recusando a se encaixar em caixinha nenhuma.
O que sempre achei fascinante nos verdadeiros rockstars é que eles vivem nessa fronteira entre a realidade e a fantasia. O Ozzy foi chamado pra atuar em filmes — como em Little Nicky — pra representar ele mesmo. Não um personagem. Ele mesmo.
Vivendo no limite entre o palco e a vida real
Isso só acontece quando a pessoa e o personagem viraram a mesma coisa. Quando não existe mais fachada.
O que eu levo daqui pra frente
O valor que fica pra mim é simples de falar e difícil de viver: ser você mesmo, com todas as suas estranhezas, em vez de se encaixar nas caixinhas que o mundo cotidiano insiste em empurrar pra cima da gente.
Não é fácil ter uma cabeça diferente. Às vezes é insuportável. Mas ainda assim, é mais leve arcar com as consequências do que você realmente acredita do que fazer “o certo” segundo os outros e carregar o ônus disso de qualquer jeito.
O Ozzy escolheu ser o Ozzy até o último show. Isso é o tipo de velho que eu quero ser.
Ósculos e amplexos! Vika.