Histórias

Você Começou a Curtir Metal Por Causa de um Cara Que Não Tinha as Pontas dos Dedos

27 de agosto de 2026  ·  Vika Viante
Você Começou a Curtir Metal Por Causa de um Cara Que Não Tinha as Pontas dos Dedos

Fala, galera do rock! Ladies, esse aqui é pra vocês também.

Se você curte metal, tem uma grande chance de curtir por causa de uma banda que existe graças a um acidente industrial.

### Tony Iommi e o acidente que inventou o heavy metal

Antes de formar o Black Sabbath, Tony Iommi trabalhava numa fábrica de chapas de metal em Birmingham. Num dos últimos dias antes de largar o emprego pra virar músico em tempo integral, ele perdeu as pontas de dois dedos da mão direita numa máquina de corte.

Pra um guitarrista destro, isso deveria ser o fim. As pontas dos dedos são justamente o que pressiona as cordas — sem elas, tocar dói, e muito.

Só que Iommi não parou. Ele afrouxou a tensão das cordas, adaptou dedais artesanais nas pontas dos dedos feridos, e — pra compensar a dor que ainda sentia mesmo com a adaptação — passou a afinar a guitarra mais baixo que o padrão da época.

O resultado desse ajuste técnico, nascido de uma limitação física e não de uma escolha estética, foi um som mais grave, mais pesado, mais sombrio. Alguns historiadores da música apontam justamente essa combinação — a técnica adaptada de Iommi somada ao peso da afinação mais baixa — como um dos pontos de origem do heavy metal como gênero.

Ou seja: se você curte metal, existe uma chance real de que isso comece com um acidente de fábrica e um cara que se recusou a desistir.

### Rick Allen e o braço que faltou

Rick Allen, baterista do Def Leppard, perdeu o braço esquerdo num acidente de carro em 1984 — no meio da ascensão da banda.

Ele não trocou de instrumento. Ele reaprendeu a tocar bateria com um kit eletrônico adaptado, usando os pés pra cobrir partes que antes eram tocadas com o braço esquerdo. Levou meses de reconstrução técnica completa, mas Rick Allen voltou aos palcos com o Def Leppard, e continua tocando bateria com a banda até hoje.

### Jason Becker e a guitarra que virou composição

Jason Becker era um dos guitarristas mais tecnicamente impressionantes da sua geração quando foi diagnosticado com ELA (esclerose lateral amiotrófica) no início dos anos 90 — uma doença degenerativa que progressivamente tira o controle motor do corpo.

Ele perdeu a capacidade de tocar guitarra fisicamente. Mas não parou de fazer música. Jason Becker compõe até hoje usando um sistema de comunicação por movimento dos olhos, indicando notas, acordes e arranjos letra por letra, nota por nota, pra quem transcreve.

### Mick Mars e a dor que nunca aparecia no palco

Mick Mars, guitarrista do Mötley Crüe, tocou décadas com uma doença degenerativa na coluna — espondilite anquilosante — que rigidifica progressivamente a espinha e causa dor crônica intensa. Durante boa parte da carreira da banda, ele subiu ao palco todas as noites carregando uma dor que a plateia nunca via.

### O que esses quatro têm em comum

Nenhum desses guitarristas tinha o corpo “ideal” pra tocar do jeito que a técnica tradicional exige. Todos eles adaptaram o instrumento, o método, a postura — até encontrar um jeito que funcionasse pra realidade física deles, e não o contrário.

Eu também passei pela minha versão disso. Fui diagnosticado com Síndrome de Chiari Tipo 1 — uma malformação na base do crânio — e precisei operar. E se tem uma coisa que essas histórias me ensinaram é que corpo que não coopera não é sentença. É só mais um motivo pra encontrar outro caminho até a música.

Fiz um vídeo completo contando essas quatro histórias com mais detalhes, e no final falo também sobre a minha própria cirurgia. Se você quer se aprofundar nisso, assiste aqui.

Ósculos e amplexos!

Vika

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