Há um tempo atrás eu corri minha primeira meia maratona.
21 quilômetros. Dessas corridas que a gente se inscreve sabendo que não vai ganhar absolutamente nada além de uma banana, uma medalha de participação e uma dor nas pernas no dia seguinte.
E quer saber? Foi incrível.
Pra correr esses 21 km eu treinei durante um ano inteiro. Só em um dos meses foram mais de 130 km percorridos treinando. E isso me fez pensar muito sobre aprender guitarra.
Porque quando o objetivo é grande, não existe milagre. Só existe um caminho: dividir em pequenos pedaços e continuar.
Teimosia estruturada
Na corrida teve chuva, calor, preguiça, lesão, resfriado, treino ruim, treino interrompido e vontade de desistir.
E mesmo assim, a chama continuava acesa
Ouvi uma frase esses dias que ficou na minha cabeça: “Isso se chama teimosia estruturada.”
É exatamente isso. Porque em algum momento você para de lutar apenas pelo resultado e começa a se apaixonar pela jornada. Você entende melhor seu corpo. Controla melhor sua ansiedade. Aprende a continuar mesmo nos dias ruins.
E percebe que o segredo nunca foi velocidade. Foi permanência.
Por isso o Caminho de Santiago se chama “caminho”. Não “chegada”. Porque a transformação acontece caminhando.
Aprender guitarra é sobre permanência
Com guitarra é a mesma coisa.
Se fosse só sobre chegar rápido, a gente pegava um Uber. Mas não. É sobre tocar um pouco hoje, entender uma coisinha amanhã, errar menos semana que vem, e continuar.
O rock sempre foi sobre isso pra mim. Sobre não aceitar respostas prontas. Sobre não se entregar. Sobre continuar sendo quem você é, mesmo quando o mundo espera o contrário.
Talvez realmente não fosse só uma fase.
Ósculos e amplexos! Vika.